São Sebastião Contra os Novos Dioclecianos: Fé, Poder e Perseguição no Mundo Atual
No dia do padroeiro de São Sebastião, uma reflexão sobre martírio, intolerância e os novos imperadores do nosso tempo
Texto: Priscila Siqueira
Dia 20 de janeiro comemora-se a maior festa religiosa — e quem sabe também social — do município do litoral norte paulista que leva o nome de seu santo padroeiro: São Sebastião.
Segundo consta, Sebastião nasceu na cidade de Vabona, na Itália, e, ainda muito pequeno, seus pais se mudaram para Milão. Como seu pai, quis ser militar e tornou-se soldado. Forte e bem-apessoado — conta a tradição que era muito bonito —, galgou rapidamente a posição de capitão da guarda do imperador romano Diocleciano.
Naquele período, Diocleciano via os cristãos como um grupo “terrorista”, pois acreditavam em um Deus que não era o imperador. Sebastião foi enviado para combatê-los. No entanto, por ser um homem justo, nada encontrou que pudesse incriminá-los. Ao contrário: percebeu que cuidavam dos pobres, dos doentes e dos mais vulneráveis.
- A conversão que mudou o destino de Sebastião
O contato com os cristãos transformou Sebastião.
Ele se converteu à fé cristã.
O imperador não aceitou a conversão e ordenou que Sebastião fosse castigado com flechas — um suplício extremamente cruel, pois, ao serem retiradas, dilaceravam ainda mais a carne do martirizado. Sebastião foi cuidado por mulheres da comunidade cristã, mas acabou morrendo mais tarde, no ano 288, novamente martirizado, possivelmente com a cabeça decepada.
Dos antigos impérios aos novos poderes
No mesmo dia 20 de janeiro, tomou posse Donald Trump, como presidente dos Estados Unidos. Em seu discurso, afirmou que os imigrantes deveriam permanecer no México, impedidos de entrar na chamada terra dos ianques.
O Papa Francisco classificou a perseguição aos imigrantes como um grande pecado contra a pessoa humana. Fica a pergunta inevitável: será que se esqueceu de que os Estados Unidos foram construídos por imigrantes?
-
Meio ambiente, guerra e interesses imperiais
- O novo presidente também declarou que pretende abolir a Política de Gênero, afirmando reconhecer apenas dois gêneros humanos. Anunciou a readmissão de funcionários punidos por não tomarem vacinas, com pagamento retroativo dos salários, além de tornar a vacinação não obrigatória no país.
No campo ambiental, anunciou cortes de investimentos — pois não acredita no aquecimento global — e, ao mesmo tempo, prometeu forte ampliação dos gastos militares.
Antes mesmo da posse, sinalizou o desejo de anexar o Canadá e a Groenlândia ao território norte-americano. Para muitos, tais declarações servem mais como cortina de fumaça para ocultar um objetivo estratégico maior: o controle do Canal do Panamá.
Uma oração para o nosso tempo
Que São Sebastião nos proteja — e a toda a humanidade — desses novos Dioclecianos, que se sentam como imperadores do mundo, movidos pela ganância, pela intolerância e pelo desprezo à dignidade humana.



