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Da Bíblia ao Boletim de Ocorrência: Violência contra a mulher é naturalizada

Religião, Cultura e a Raiz do Problema

Por Priscila Siqueira
Rádio C2 – Comunicação, Cultura e Cidadania


⚠️ A Naturalização da Violência

Um grupo grande de fiéis da Igreja Católica está reivindicando que a Campanha da Fraternidade do ano que vem seja sobre a Violência contra da Mulher.

Acho tal reivindicação mais do que justa. Essa Campanha que não se restringe somente a católicos, mas a todas pessoas de boa vontade, sempre discute temas cruciais de nossa sociedade num pedido implícito de justiça para uma situação social que é injusta. Por exemplo: este ano de 2026 a discussão da Campanha da Fraternidade é sobre a falta de moradia em nosso País.


🩸

A violência contra a mulher é naturalizada, não só no Brasil mas – infelizmente – em todo mundo. Aqui em nossa terra brasileira os números são aterradores. Alguns casos retratados em jornais nos dão uma ideia do que acontece no “segurança do lar”…

  • Mulheres brasileiras expostas à violência física, sexual ou mental têm oito vezes mais chances de morte que as outras mulheres. Estes são dados de um estudo feito em cima de 800 notificações de violência contra a mulher que resultou em dezesseis mil e quinhentas mortes de mulheres de 2011 a 2015.

  • Em reportagem do caderno “Aliás” do jornal “O Estado de S. Paulo” mostra que a cada duas horas uma brasileira é morta em condições violentas; uma em cada cinco mulheres diz ter sofrido um tipo de agressão por parte de um homem. Os dados constam do Dossiê Violência contra as Mulheres.

  • 83% das pessoas traficadas no mundo são do gênero feminino, principalmente para a indústria do sexo. (Global Alliance Against Trafficking of Women – GATAW) ONG Internacional que luta contra o tráfico de mulheres e meninas.


🧠 A Culpa Que Sempre Recai Sobre a Vítima

 

Em casos de estupros, até mesmo os estupros coletivos, muitas pessoas – inclusive outras mulheres – imputam o crime à vítima.

“Ela estava com saiote curto…”
“Por que saiu à noite sozinha?!”
“Também, com essa boca pintada de vermelho…”


⛪ Religião, Cultura e a Raiz do Problema

A força física masculina não é uma explicação simples para esse fenômeno. Essa é uma questão cultural que – infelizmente – tem muito a ver com as religiões Abraâmicas: Judaísmo, Islamismo e Cristianismo.

Gênesis tem duas versões para a criação da Humanidade: “Macho e fêmea os criou”. Mas a versão mais difundida é aquela em que a mulher – Eva – com sua sensualidade leva o pobre Adão ao pecado. Conclusão: Deus só fez o Bem; o Mal chegou até nós através da mulher… Da unha encravada à Guerra do Oriente Médio a mulher é sempre culpada, mesmo sem saber do quê.

Não é à toa o provérbio popular: “Briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. A mulher é dele, deixe ele bater como quiser…


👶 As Crianças Que Ficam: Uma Dor Sem Fim

Essa situação tem de mudar. Já imaginaram como ficam os filhos dessas mulheres mortas ou agredidas, presenciadas pelas crianças? É uma dor sem fim…


🏛️ Violência Com Prova, Impunidade Como Regra

Nós de nossa região que temos políticos como o ex-prefeito de São Sebastião que agrediu as duas mulheres mães de filhos seus, agressões provadas por Boletins de Ocorrência – BOs,
e nada aconteceu. Hoje, dono de uma rádio, pleiteia ser deputado federal…

Ou o vereador da Câmara deste mesmo município que chamou sua assessora para uma orgia no seu gabinete, fato também provado com BO, e continua edil tendo sido reeleito?!…

Ocorrências como essas mostram quanto a violência contra a mulher é banalizada e aceita como mandamento divino…


🚨 É Urgente Romper Esse Silêncio

É urgente que essa mentalidade mude e que os agressores sejam devidamente punidos. Se tivessem agredido outros homens, provavelmente estariam na cadeia…

Por isso, primas e primos, vamos fazer abaixo-assinados pedindo à Igreja Católica, através de sua Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, que no próximo ano a Campanha da Fraternidade, que atinge o Brasil

Priscila Siqueira

Jornalista Priscila Siqueira, Ponta Grossa (PR), 08/07/1939. Formação: Universidade do Brasil (RJ). Atuou na Folha de São Paulo, Estadão, Jornal da Tarde, Rádio Eldorado e Valeparaibano. Destacou-se por denunciar a expulsão dos caiçaras com a abertura da BR-101, tema de seu livro “Genocídio dos Caiçaras” (1984). Especializou-se em questões ambientais, cobrindo a Constituinte de 1988. Foi fundadora da SOS Mata Atlântica, do MOPRESS e presidiu a Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro. Participou do Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, em Estocolmo (1996), promovido pela UNICEF e pela rainha Sílvia da Suécia. Foi professora nas Escolas : Normal de São Sebastião, Universidade Salesiana, e de Pós graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de SP na área de Sociologia

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