Cantinho da Priscila Siqueira

ELE DESAFIOU UM IMPÉRIO

A HISTÓRIA PROIBIDA DE SÃO SEBASTIÃO

Por Priscila Siqueira

Caros leitores e leitoras deste litoral tão lindo!

No dia 20 de janeiro, estaremos em plena festa do padroeiro desta terra que recebeu, há mais de 60 anos, o meu marido e a mim como filhos queridos: São Sebastião.

Esta é uma festa famosa, que faz com que pessoas aqui nascidas — e seus parentes, que porventura não morem mais no município — acorram todos os anos para prestar homenagem ao Santo Mártir do Senhor.

A Missão Secreta do Soldado Mais Bonito de Roma

Sebastião, considerado um homem muito bonito, nasceu na França e estudou em Milão, na Itália. Optou pela carreira militar e chegou a ser capitão da guarda do imperador Diocleciano, em Roma.

Quando o chefe do maior império da época tomou conhecimento de um grupo que se autodenominava “cristãos”, enviou Sebastião para investigar o que estava acontecendo.
Seriam esses cristãos subversivos? Estariam tramando a queda do imperador?

O Achado que Abalou um Soldado: A Verdade Sobre os Cristãos

Sebastião permaneceu o tempo necessário entre os cristãos para perceber que eles tinham tudo em comum: não havia viúva ou criança passando fome, mulher prostituída ou homem desesperado por não ter como sustentar a família. Entre eles reinavam a paz e a fraternidade. Foi esse o relato que Sebastião fez ao imperador.

— Como?! — replicou Diocleciano. — Se têm tudo em comum, são comunistas?!

E o imperador de Roma ordenou que Sebastião acabasse com os cristãos, matando todos eles.

Sebastião não apenas desobedeceu às ordens do imperador, como também se converteu ao cristianismo.

O Martírio das Flechas: A Cena de Horror que Virou Símbolo

Como castigo — e para dar exemplo aos que quisessem segui-lo — Diocleciano decretou sua morte por flechadas. Esgotado e dado como morto, Sebastião foi abandonado.

Irene, uma bondosa viúva, acolheu-o e tratou de suas feridas. Tirar uma flecha do corpo humano é como retirar um anzol debaixo da pele: tanto a flecha quanto o anzol rasgam a carne ao serem removidos, num processo extremamente doloroso.

Sebastião se recuperou, mas, em vez de desaparecer, omitir-se e calar-se — o que teria sido muito mais fácil — foi questionar o imperador sobre as injustiças que ele cometia. Não deu outra: sua morte foi decretada.

O Fim: Duas Versões para uma Morte que não Podia ser Esquecida

Existem duas versões sobre a morte de Sebastião. A primeira afirma que ele teria sido decapitado; a segunda, que teria sido flagelado até a morte. Ambas concordam que sua execução ocorreu em espetáculo público.

Por que Sebastião é o Santo URGENTE do Nosso Século?

Este santo é conhecido por nos defender da peste, da fome e da guerra. Em tempos como os nossos, quando impérios atuais invadem outras nações em busca de riquezas que não lhes pertencem, quando a América Latina é ameaçada, a proteção de Sebastião torna-se de extrema importância.
Em uma época em que milhares de crianças morrem em consequência da fome em um continente rico como a África — mas historicamente explorado — precisamos, mais do que nunca, de sua intercessão.

Carreira ou coerência a escolha final que define uma vida

Sebastião foi um militar digno de sua posição, admirado por seus subordinados por sua coerência e retidão. Quando recebeu uma ordem que considerou injusta, não titubeou em argumentar e descumpri-la. Se tivesse concordado com o imperador, poderia ter alcançado o posto de “general de quatro estrelas” e levado uma vida confortável. Mas não: optou pela coerência e pela misericórdia.

Vocês podem dizer que divaguei neste texto. Mas sigo apenas o que dizia Papa Francisco, nosso querido papa:
“Não queremos uma Igreja-museu, uma Igreja parada no tempo.”

Todos os relatos e exemplos que nos são transmitidos precisam ser atualizados para a nossa vida. Pouco importa se São Sebastião viveu e morreu no século III e nós estamos no século XXI. Sua coerência com a mensagem do Evangelho permanece viva — e deve ser vivida por todos aqueles que lutam por um mundo mais justo e melhor.

Boa festa para todos nós!

 

Priscila Siqueira

Jornalista Priscila Siqueira, Ponta Grossa (PR), 08/07/1939. Formação: Universidade do Brasil (RJ). Atuou na Folha de São Paulo, Estadão, Jornal da Tarde, Rádio Eldorado e Valeparaibano. Destacou-se por denunciar a expulsão dos caiçaras com a abertura da BR-101, tema de seu livro “Genocídio dos Caiçaras” (1984). Especializou-se em questões ambientais, cobrindo a Constituinte de 1988. Foi fundadora da SOS Mata Atlântica, do MOPRESS e presidiu a Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro. Participou do Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, em Estocolmo (1996), promovido pela UNICEF e pela rainha Sílvia da Suécia. Foi professora nas Escolas : Normal de São Sebastião, Universidade Salesiana, e de Pós graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de SP na área de Sociologia

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