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A professora que salvou gerações em São Sebastião

Ela tinha um sonho de salvar vidas numa cidade sem recursos

Por Priscila Siqueira.

Nós que moramos em São Sebastião SP , estamos de parabéns!! Neste ano de 2026, a Irmandade da Santa Casa Sagrado Coração de Jesus, provedora do Hospital de Clínicas de São Sebastião, completa 100 anos.


Foi graças à essa Irmandade que hoje temos um Hospital que atende pessoas de toda região, sendo sua grande maioria do Sistema Único de Saúde- SUS.


A professora que ousou sonhar quando o litoral era paupérrimo

E a Irmandade só aconteceu por conta da coragem de uma professora primária que não se intimidou em lutar por seu sonho: Julieta Maria do Rego que, enternecida com o sofrimento de quem não tinha condições de tratar seus problemas de saúde fora da região, sonhou com um hospital que atendesse principalmente os mais pobres e excluídos de nosso litoral. Isso em pleno ano de 1926, quando o litoral norte paulista era paupérrimo vivendo de uma economia de subsistência.


Da utopia ao concreto: o hospital começa a funcionar

Muitos anos se passaram até que em 1962, sob o Governo de Carvalho Pinto, o Hospital ficou pronto e no ano seguinte começou a funcionar com uma equipe paramédica que se mudou para o litoral.


A Irmandade e o Hospital passaram por momentos muitos difíceis quando não havia SUS e a grande maioria dos pacientes atendidos não tinha a mínima condição de pagar. Por vezes, o Hospital chegava a ficar seis meses sem nada receber do Governo do Estado.


Solidariedade que sustentou o hospital

Um exemplo lindo: Quando muitos funcionários foram despedidos por falta de recursos para pagá-los, dona Dalila Sampaio de Freitas, enfermeira que cuidava da Pediatria continuou seu trabalho profissional, voluntariamente. ”Não posso abandonar essas crianças”, dizia ela:

Dona Dalila a enfermeira solidária

Comunidade, resistência e perseguição política

Houve, inclusive, uma época que a comunidade se reunia para angariar alimentos para o Hospital. Ou quando médicos e provedor foram denunciados de subversivos na Polícia Regional em plena Ditadura empresarial-militar. (Será porque atendiam os pobres sem nada cobrar?!…)


Memória que precisa ser preservada

Tempos que já se foram mas que devem ser de conhecimento de todos. Como dizia João Siqueira, meu marido que fez parte da equipe que veio tocar o hospital e foi provedor da Irmandade por duas vezes, “Os que aqui chegaram mais tarde têm o direito de saber como o hospital começou, afim que não pareça que tudo o que temos surgiu espontaneamente como cogumelos”…
É isso aí

Priscila Siqueira

Jornalista Priscila Siqueira, Ponta Grossa (PR), 08/07/1939. Formação: Universidade do Brasil (RJ). Atuou na Folha de São Paulo, Estadão, Jornal da Tarde, Rádio Eldorado e Valeparaibano. Destacou-se por denunciar a expulsão dos caiçaras com a abertura da BR-101, tema de seu livro “Genocídio dos Caiçaras” (1984). Especializou-se em questões ambientais, cobrindo a Constituinte de 1988. Foi fundadora da SOS Mata Atlântica, do MOPRESS e presidiu a Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro. Participou do Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, em Estocolmo (1996), promovido pela UNICEF e pela rainha Sílvia da Suécia. Foi professora nas Escolas : Normal de São Sebastião, Universidade Salesiana, e de Pós graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de SP na área de Sociologia

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