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Os Últimos Filhos da Floresta: Ricardo Martins lança livro e série em Ubatuba sobre o povo Yanomami

Autor de quinze livros, o fotógrafo lança a obra que foi resultado da maior e mais complicada expedição da sua carreira; lançamento será no Teatro Municipal de Ubatuba

“É, seu Ricardo, seu nome ecoou pela floresta e chegou aos nossos corações.”

Essas foram as palavras que Ricardo Martins, fotógrafo e documentarista, ouviu ao chegar em uma aldeia Yanomami, ponto de partida para o seu 15º livro, Os Últimos Filhos da Floresta. A obra é um retrato sensível e profundo do cotidiano de um dos maiores povos indígenas do Brasil e dos últimos da Amazônia. O lançamento será com um coquetel no dia 30 de julho, às 19h, no Teatro Municipal Pedro Paulo Teixeira Pinto, à R. Condessa de Vimieiro, 22, Centro de Ubatuba.

Os Yanomami são um dos maiores povos indígenas relativamente isolados do mundo. Sua origem remonta a mais de mil anos, nas terras altas da atual Venezuela, e desde então vivem profundamente integrados à floresta amazônica, distribuídos entre os territórios do Brasil e da Venezuela. São tradicionalmente caçadores, agricultores e coletores e, desde a década de 1980, enfrentam ameaças crescentes: invasões, garimpo ilegal, desmatamento, doenças trazidas de fora e episódios de violência. Essa pressão externa coloca em risco não apenas sua existência física, mas também sua cosmologia e modo de vida.

“O projeto nasceu enquanto eu sobrevoava a Amazônia e assistia a um documentário que mencionava os Yanomami como os últimos filhos da floresta. Aquilo me tocou profundamente. Percebi que era hora de registrar essa história de forma visual, humana e respeitosa — mas sob outra ótica: aquela que mostra sua força, importância e beleza no cotidiano”, explica Ricardo Martins sobre sua inspiração.

Além do livro, que inclui QR codes para acesso a vídeos exclusivos que revelam os bastidores das fotos, Ricardo também produziu sua 5ª série documental, Aventura Fotográfica Yanomami. A produção será lançada pela RM Produções em conjunto com o livro e deve chegar em breve a plataformas de streaming, como já ocorre com outras obras do autor, exibidas na Amazon Prime Video, CNBC, TV Cultura, We Plus e Band Play. No dia do lançamento, será exibido um compilado de 20 minutos do documentário antes da sessão de autógrafos. O evento contará com a presença de representantes do povo Guarani Mbya, das aldeias Boa Vista e Renascer, localizadas em Ubatuba.

 

Para realizar o livro, Ricardo contou com o apoio de Regiane, uma indígena que já havia pertencido à aldeia e facilitou o contato com o fotógrafo. Após mais de um ano e meio de negociações, ele foi enfim recebido pelo líder Maciel. “Quando conseguimos essa permissão, preparamos a expedição para chegar na aldeia em oito horas, mas a viagem levou, na verdade, três dias. Apesar disso, o acesso que tivemos, sem restrições, e toda a receptividade foram únicos. Poucas pessoas tiveram essa oportunidade”, exalta Ricardo, que dormiu na mata e viveu o dia a dia da aldeia, acompanhando rituais, caçadas e rotinas dos indígenas.

Retribuição

Outro fator importante é que a contrapartida do autor, por toda a receptividade e abertura para a produção, será a construção de uma escola na aldeia Hemare Pi Wei, onde tudo aconteceu. O pedido foi feito diretamente das lideranças a Ricardo.

“Nossos jovens precisam se orgulhar da nossa cultura e dos nossos costumes. Precisam ter orgulho de serem indígenas. Também precisam aprender a língua e a cultura do Napo (homem branco), pois isso será a defesa deles. Esse é o objetivo desta escola”, afirmou Maciel, uma das lideranças que recebeu Ricardo na aldeia.

“Convivendo com os Yanomami, vi um modo de vida conectado à terra, onde tudo é respeitado. Enquanto os povos originários existirem, a floresta estará em pé. Resolvemos abraçar o projeto, inclusive a construção da escola, que já começou a ser erguida e será um marco”, afirma Ricardo.

Parte da verba arrecadada com a venda dos livros está sendo revertida para a construção da escola. Além disso, uma coleção de FineArt foi criada pelo autor para ampliar a arrecadação, disponível em www.ricardomartins.org/fineart, além de uma “vaquinha” virtual, que pode ser acessada pelo link: ajud.ar/escola.

Os Últimos Filhos da Floresta estará disponível por R$ 79 nas principais livrarias do país, além do site do autor: www.ricardomartins.org

Serviço
Lançamento do livro e série “Os Últimos Filhos da Floresta”
Teaser: https://youtube.com/playlist?list=PLDU_tRVHdxlFtwl3-IChIJQPQ6QXeQ7uL&si=VaUEF-igkn9xtbqB

Data: 30 de julho de 2025
Horário: a partir das 19h, com coquetel, exibição do documentário e autógrafos
Local: Teatro Municipal Pedro Paulo Teixeira Pinto
Endereço: Rua Condessa de Vimieiro, 22 – Centro, Ubatuba/SP
Entrada gratuita

Sobre o povo Yanomami:

Os Yanomami são um dos maiores povos indígenas relativamente isolados do mundo. Vivem há mais de mil anos na floresta amazônica, entre as terras altas da atual Venezuela e o território brasileiro, distribuídos entre a Terra Indígena Yanomami, no Brasil, e a Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, na Venezuela. Tradicionalmente, são caçadores, agricultores e coletores, vivendo em comunidades profundamente integradas à floresta.

Para os Yanomami, a floresta não é apenas um ambiente natural ou recurso econômico. É uma entidade viva, sagrada. A “urihi” (como chamam a terra-floresta) é um ser com o qual humanos e não-humanos mantêm uma relação espiritual contínua. Essa visão se aproxima da chamada Hipótese de Gaia, proposta nos anos 1970 pelo cientista britânico James Lovelock, que entende a Terra como um organismo vivo e autorregulador.

Desde a década de 1980, o modo de vida Yanomami vem sendo ameaçado por fatores externos, como o avanço do garimpo ilegal, o desmatamento, a propagação de doenças trazidas de fora e a violência. Essa pressão coloca em risco não apenas a sobrevivência física do povo, mas também sua cultura, cosmovisão e relação com o território.

Proteger os Yanomami é, em última instância, proteger a floresta. E enquanto seus territórios e modos de vida forem respeitados, a floresta ainda terá chances de se manter em pé.

Sobre Ricardo Martins:

Ricardo Martins é um dos principais nomes da fotografia de natureza do Brasil. Jornalista, apresentador e sócio-fundador da RM Produções, produtora e editora responsável por seus projetos, Martins tem suas imagens exibidas em espaços  de prestígio internacional, como a sede da UNESCO, em Paris, e a Galeria Tretyakov, em Moscou. Seu trabalho reforça seu papel como verdadeiro embaixador das belezas naturais brasileiras. 

É autor e editor de 15 livros, entre eles, A Riqueza de um Vale, obra reconhecida com o Prêmio Jabuti em 2012, na categoria Melhor Fotografia — um dos mais importantes reconhecimentos da literatura nacional. Na televisão, é conhecido por suas séries que revelam os bastidores de expedições por destinos emblemáticos como o Pantanal, Amazônia e a Itália, com produções exibidas em plataformas como Amazon Prime Video, CNBC, TV Cultura, We Plus e Band Play. Em Os Últimos Filhos da Floresta, Ricardo mergulha ainda mais fundo: não apenas em paisagens amplas e grandiosas, mas também nas texturas e detalhes delicados da selva e de seus habitantes. Um mundo oculto, isolado e vibrante, retratado com a sensibilidade de quem sabe que preservar é, antes de tudo, enxergar.

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16 Comentários

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