CULTURA E LAZERNotícias

Bau de Dedé: o resgate da cultura caiçara em Ilhabela

Homenagem reconhece a trajetória de Dona Dedé na preservação das tradições caiçaras

🌊

O projeto Baú da Dedé em Ilhabela resgata a memória da cultura caiçara e homenageia Dona Dedé.

Gente amiga de nosso litoral tão lindo,
A Casa do Patrimônio de São Sebastião, está divulgando até o final de julho, o projeto Bau de Dedé, uma homenagem à folclorista Iracema França Lopes Correa- conhecida e chamada carinhosamente como “dona Dedé”- que durante anos pesquisou e resgatou a cultura caiçara em Ilhabela.


👩‍🏫 Dona Dedé Ilhabela: origem caiçara e formação acadêmica

Terceira filha de um casal que teve dez filhos, sua mãe Druziana Fazzini França, era uma caiçara da gema. Iracema nasceu em 1919 e se formou em Educação Física na USP. Em 1943, casou-se com o advogado Renato Lopes Corea.


🎭 Cultura caiçara viva: o mergulho de Dona Dedé nas tradições populares

 

Apesar de morar na capital paulista, dona Dedé sempre visitava Ilhabela, a terra de seus ancestrais. Ela acompanhava com paixão as manifestações do povo caiçara de tal forma que para entender e participar mais de perto o Fandango, Quebra Chiquinha, Caiapó, Cantoria de Reis ou da Congada, se inscreveu e se formou na Escola de Folclore de São Paulo.


🥁 Congada de Ilhabela: o trabalho que salvou uma tradição

Quando o marido se aposentou, o casal se muda definitivamente para Ilhabela. Durante sete anos, dona Dedé gravou e pesquisou a Congada de Ilhabela e seu trabalho foi fundamental para que essa manifestação folclórica fosse recuperada com todo seu potencial. Resultado desta pesquisa, nasce o livro escrito por ela, publicado em 1977, “A Congada de Ilhabela na Festa de São Benedito”.


🌕 Tradição e fé: o “claro de maio” e a história dos congos

 

Antigamente a Congada de Ilhabela saia sempre no “claro de maio”, tempo que não era propício para pesca, por conta da lua muito clara. Como hoje os congos não são mais pecadores, eles decidiram sair no terceiro final da semana de maio.


🍲 Ucharia e solidariedade: a tradição de São Benedito

Uma das características desta festa é a “ucharia”, local ode é fornecida comida para quem quiser gratuitamente. Reza a lenda da São Benedito era cozinheiro e roubava a comia da despensa real- ucharia- para dar aos pobres.


🎶 Marimba de Ilhabela: o instrumento que ganhou o mundo

 

Outro mérito desta mulher foi mostrar ao mundo a “marimba de Ilhabela”, que é um instrumento musical usado na Congada local. Essa marimba de teclas de madeira e cabaças está agora no Museu do Folclore de São Paulo.


🏫 Educação e cultura caiçara: o legado nas escolas de Ilhabela

 

Mas seu trabalho não terminou aí. Como professora levou aos alunos do município o conhecimento de suas manifestações culturais para que delas se orgulhassem. Ela apoiou aos artesões das ilhas de Búzios e Vitória e foi considerada “Presidenta Eterna” da Sociedade São Vicente de Paula. Os atendidos por essa associação também eram convidados para participar com as crianças da escola das manifestações culturais de Ilhabela.


📚 Biblioteca e inclusão: a transformação cultural de Ilhabela

 

Dona Dedé fez com que sua irmã, Stella -que era bibliotecária- se mudasse para Ilhabela pois não aceitava o fato do município não ter uma biblioteca pública. A prefeitura da época comprou sua briga e hoje as bibliotecas públicas se espalham em vários bairros do município.


🧵 Projeto Guiamu: formação profissional e dignidade social

 

Através do projeto Guiamu, criado por ela, dona Dedé ainda foi responsável pela criação da escola profissionalizante do bairro do Itaguá. Ali são dadas aulas de costura, artes e matérias que envolvem a juventude local preparando-as para uma profissão.


👶 Educação infantil: a primeira pré-escola de Ilhabela

A primeira pré-escola no município também foi obra dela. Hoje há várias pré-escolas em Ilhabela- um município rico por conta dos “royalties” da Petrobrás- e todas elas passaram a se chamar EMEI Cirandinha, como a primeira escolinha de dona Dedé.


📖 Cultura caiçara na academia: o livro sobre a Ilha de Búzios

Dona Dedé teve um casal de filhos: Ana Maria, já falecida e Luiz Octávio. Ana Maria foi responsável pela tradução do livro ”A ilha de Búzios- Uma comunidade caiçara no sul do Brasil”, escrito pelo antropólogo inglês Emílio Willems. O livro é considerado um clássico da antropologia brasileira pela maneira que enfoca a forma de vida caiçara nessa ilha, a relação de seus moradores com a natureza, sua simbologia e imaginário.


🕊️ Despedida e homenagem: o adeus caiçara a Dona Dedé

Gente amiga,
Essa mulher maravilhosa faleceu em 2000 na capital paulista., mas foi enterrada na ilha que tanto amou. Seu enterro foi acompanhado por congueiros que tocaram e cantaram com seus instrumentos típicos- como a marimba- até sua sepultura.


❤️ Uma dedicatória eterna à cultura caiçara

Em uma das dedicatórias feitas por ela em seu livro sobre a Congada de Ilhabela, dona Dedé abre seu coração:
“À memória de minha mãe, origem de todo meu carinho pelas coisas simples da Ilha”


Priscila Siqueira

Jornalista Priscila Siqueira, Ponta Grossa (PR), 08/07/1939. Formação: Universidade do Brasil (RJ). Atuou na Folha de São Paulo, Estadão, Jornal da Tarde, Rádio Eldorado e Valeparaibano. Destacou-se por denunciar a expulsão dos caiçaras com a abertura da BR-101, tema de seu livro “Genocídio dos Caiçaras” (1984). Especializou-se em questões ambientais, cobrindo a Constituinte de 1988. Foi fundadora da SOS Mata Atlântica, do MOPRESS e presidiu a Sociedade de Defesa do Litoral Brasileiro. Participou do Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, em Estocolmo (1996), promovido pela UNICEF e pela rainha Sílvia da Suécia. Foi professora nas Escolas : Normal de São Sebastião, Universidade Salesiana, e de Pós graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de SP na área de Sociologia

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo