CHOVEU, DESTRUIU E NINGUÉM FEZ NADA? A VERGONHA DAS MORADIAS NO LITORAL NORTE QUE PRECISA ACABAR!
Não é so por causa das chuvas que existe tragedia na região
Texto de Priscila Siqueira e
fotos de Marcus Ozores (e arquivo)
Você dorme em paz quando o tempo fecha? Milhares de famílias no Litoral Norte passam as noites de tempestade com medo de perder tudo. O problema não é a chuva, é a falta de políticas públicas que tratem a moradia como direito, e não como mercadoria.
Gente amiga! Hoje eu volto a reforçar a importância da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica deste ano de 2026, que discute e reflete sobre as famílias brasileiras que não tem uma casa decente para morar.
Ninguém cobra a construção de palacetes para as famílias menos privilegiadas, mas uma moradia que dê a elas a segurança de poder viver e dormir em paz em noites de tempestades.
QUANDO A CHUVA VIRA TRAGÉDIA ANUNCIADA: OS NÚMEROS QUE ASSUSTAM
Essa questão diz muito respeito à nossa região. As chuvas da semana passada deixaram 400 imóveis destroçados, em bairros de Ubatuba. Resultado: 15 famílias desabrigadas e outras 15, desalojadas.

Lembram da música Balada da Caridade? ”Para mim, a chuva no telhado é cantiga de ninar. Mas para o pobre, meu irmão, para ele a chuva fria vai entrando em seu barraco e faz lama pelo chão”…
Em Caraguatatuba os bairros de Olaria, Casa Branca e Getuba ficaram alagados. Não vamos nos esquecer da tragédia de 1967, quando não se sabe quantas pessoas morreram soterradas em Caraguatatuba.
TRÊS ANOS DE UMA DAS MAIORES TRAGÉDIAS DA REGIÃO: O QUE MUDOU?
Dia 19 de fevereiro passado, fez três anos que 64 pessoas – entre elas crianças – morreram em Barra do Sahy, bairro ao sul de São Sebastião. Uma cicatriz que ainda sangra e que deveria ter nos ensinado algo: prevenir é mais barato e mais humano do que remediar.

No Governo passado de Felipe Augusto, então prefeito de São Sebastião, o Governo Federal liberou mais de 200 casas populares, pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, para serem construídas na praia de Maresias. A proposta dessas construções seria remover as famílias deste bairro que moram no morro em situação de risco, onde já ocorreu morte por desabamento de casa.
O ABSURDO QUE SÓ ACONTECE NO BRASIL: RICO IMPEDE CASA POPULAR PARA POBRE
O que aconteceu?! O prefeito atendendo os veranistas que têm mansões nesta praia, recusou essas construções que sairiam de graça para a prefeitura. Um dos motivos apresentados pelos turistas de segunda residência é que as casas populares que ficariam vizinhas às deles, fariam com que o valor imobiliário de suas residências de verão viesse a cair.

É isso aí, minha gente. Enquanto alguns se preocupam com o preço do metro quadrado dos seus imóveis de veraneio, há quem se preocupe se o teto vai desabar na cabeça dos filhos durante a noite.
O LUCRO ACIMA DA VIDA: A FRASE QUE DEFINE NOSSA SOCIEDADE
Como diz o sociólogo brasileiro Darcy Ribeiro: “O processo civilizatório de nossa sociedade do mundo atual, está baseado no lucro e não na pessoa humana”.

Que a Campanha da Fraternidade deste ano nos incomode, nos tire da zona de conforto e nos faça cobrar das autoridades um olhar mais humano e menos especulativo para o direito mais básico de todos: um lugar seguro para chamar de lar.
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