O Heroico capitão PM que sonhou, planejou e construiu a 1ª Rodovia Tamoioss
A Construção da 1ª rodovia Tamoios foi ato heroico de oficial da PM

A Construção da Estrada Caraguatatuba- Paraibuna foi uma verdadeira epopeia de engenharia para época e se deveu principalmente a ação, tanto na área técnica quanto na área politica , do então Capitão da Força Pública do Estado, o engenheiro militar Edgard Armond. Ontem foi inaugurada a nova Tamoios, mas na década de 1930, essa obra era um sonho impossível.

As férias e o começa o sonho
O Capitão Edgar Armond estava de férias, em dezembro de 1931, e fez uma viagem de vapor de Santos para São Sebastião. Nessa viagem, ele conheceu o ex-deputado estadual sebastianense José Hipólito do Rego que lhe falou da necessidade de uma estrada que ligasse litoral norte ao planalto, pois a região se encontrava completamente abandonada pelo seu isolamento.
Abrindo caminhos
Diante dessa realidade, o então capitão que era engenheiro, verificou que o deputado tinha plena razão. Em verdade, havia parcos caminhos que ligavam Ubatuba com São Luiz de Paraitinga. Na serra de Caraguatatuba havia apenas, um caminho estreito e íngreme e acidentado que só permitia o tráfego de tropas de animais e pedestres, trajeto que era dificultado ainda mais pelas constantes chuvas que causavam queda de barreira e árvores no caminho.
Os estudos iniciais e pedido de ajuda
Sensibilizado com a situação, Armond contatou com o prefeito de São Sebastião, Emydio Orceli, com outros políticos caiçaras e se propôs a encaminhar o assunto. Começou a estudar a questão que o melhor trajeto seria mesmo pela serra de Caraguatatuba

Imediatamente após o término de suas férias, em janeiro de 1932, , procurou o Comandante Geral da Força Publicam atual PMESP, General Miguel Costa, e lhe apresentou o problema. O general acatou o pedido do amigo e determinou que fizesse um plano de ação.
O Projeto começa a andar
Armond apresentou o projeto propondo abrir uma estrada de rodagem entre Paraibuna e São Sebastião, que seria feita em conjunto pela Força Pública e pela Secretaria de Viação do Estado. A Força entraria com a mão de obra e Secretaria com os insumos. Foi necessária a criação de uma Companhia especial de sapadores ( soldados hábeis na área de engenharia).
Entraves iniciais
Depois de alguns entraves, visto que esse tipo de missão não era próprio das atribuições da Policia, o plano foi aprovado. Armond então acertou os detalhes com Secretaria da Viação e com o Diretor de Estradas de Rodagem, engenheiro João Fonseca de Camargo.
20 dias andando pelo mato
Já 16 de fevereiro, Armond e o engenheiro João Fonseca do DER, realizaram pessoalmente o reconhecimento e demais estudos. Sairam de carro de São José dos e após 3 horas e meia de viagem chegaram ao ao km 35. Fonseca, dali regressou e Armond foi a cavalo até Caraguatatuba, lá chegando só no fim da tarde dali, depois de 20 dias a pé, terminou todo o reconhecimento e demarcação da área até São Sebastião, muitas vezes embaixo de chuvas e carregando seu próprio alimento em bagagens pesadas nas costas.
O Inicio das Obras
Finalmente, em 12 de abril de 32, Armond e 15 soldados, mesmo sem contar com recursos materiais , começou, no topo da serra de Caraguatatuba, a abertura da estrada, escolhendo o trecho mais difícil para esse início.

Como a equipe era muito pequena, Armond usou uma verba que dispunha ( de 50 contos) e com ela contratou uma turma de 30 auxiliares civis para reforçar a equipe.
Novo governo, novos planos?
A obra foi interrompida, devido à mudança tanto no comando da Força, quanto da Secretaria. A nova equipe queria mudar o trajeto inicial e fazer a estrada pela serra de São Sebastião. Armond e políticos da região protestaram contra as mudança e finalmente conseguiram a liberação da obra e também de uma verba de 200 contos.
A Revolução de 32
Em julho , estoura a revolução de 32,e Armond teve que suspender parcialmente os trabalhos, dispensando parte dos civis, exceto os responsáveis pelas escavações. O efetivo militar foi designado para lutar sob o nome de “Grupamento Cap Armond”. Armond ficou resposnável pelo comando do litoral, e pela organização de tropas em Paraibuna e Caraguatatuba. Depois foi para outras frentes. Ao final do conflito, foi nomeado Chefe de Polícia do Estado de São Paulo, e compôs a Casa Militar do Governador Militar do Estado, General Waldomiro Lima.
De Volta à Estrada
Apaixonado pelo projeto que iniciara, 2 meses depois, Armond voltou para a obra e comandou o Batalhão de Sapadores que foi então criado para dar continuidade à construção da estrada.
E a tropa ganha reforço
Finalmente, conseguiu do governo os meios de que tanto necessitava para a obra. Já a partir dezembro a equipe ganhou reforços, alcançando o numero de 370 homens, aprte deles instalados no trecho do bairro do Rio do Ouro e outra parte já na área de Paraibuna.

O Fim da obra
Depois de tanto sacrifício,em agosto de 1934, a estrada entre Paraibuna a Caraguatatuba estava terminada . Armond, o sonhador que participou de toda a sua elaboração, desde o pedido da obra até sua conclusão, entregou a via ao D.E.R , que deu continuidade ao trecho final entre Caraguatatuba e São Sebastião.
INAUGURAÇÃO
A Tamoios foi inaugurada oficialmente, em 1938 e foi pavimentada em 1957, no Governo de Jânio Quadros. Na década de 1970, o DER efetuou uma grande reforma e ontem 26/03/2022, ela foi totalmente duplicada no trecho São José dos Campos Caraguatatuba. O lamentável dessa história toda, e que infelizmente, no litoral norte, o nome do Coronel Armond não tem o devido reconhecimento, exceto por dar nome a uma rua de São Sebastião.
João Fonseca

Já o engenheiro João Fonseca, recebeu o nome de uma rua central e ainda tem uma estátua na entrada da cidade de Caraguatatuba ( homenagens aliás merecidas), estátua aliás inaugurada no centenário da cidade em 1957, pelo prefeito Altamir Tibiriçá Pimenta
N. R. Paulo Nelson Rego, descendente do deputado Manoel Hipólito do Rego, trouxe algumas informações complementares ao texto, cujo teor colocamos aqui na íntegra. Disse Paulo Nelson :
“No que pese a justa homenagem ao Capitão Edgar Armond em dezembro de 1931 o ex-deputado estadual sebastianense não se chamava José Hipólito do Rego e sim Manoel Hipólito do Rego.
Nesse ano era Deputado Federal e a muito já trabalhava por essa uma estrada que ligasse litoral norte ao planalto. Na mesma época já lutava pelo construção do Porto de São Sebastião-SP e junto com Prestes Maia trabalhava na aprovação, da construção da Rio Santos no modal ferroviário e rodoviário , não é por menos que era chamado o embaixador do Litoral Norte.Nos anais da Assembleia Legislativa e publicações dessa época, é facil comprovar esses fatos”
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