A Martim da minha adolescência
As lembranças Praia da Martim de Sá de Caraguatatuba nos fins dos anos 60
Crônica de Raquel Salgado

No final dos anos 60, a praia da moda era a Prainha. Por lá desfilava, aos domingos, a brejeirice de Caraguá. Com suas águas transparentes e calmas, ainda oferecia três super aventuras: ir até a Pedra do Jacaré, até a Pedra da Freira ou ir a Martim.
A esta se chegava pela estradinha de terra. Para descer até o mar tínhamos que atravessar uma pequena trilha na mata de jundu que enfeitava a orla.
Que cenário então!
Para além do mar forte e vigoroso, abria-se a ponta norte do arquipélago de Ilhabela, com as ilhas de Búzios e Vitória pontilhando céu e mar azuis na linha do horizonte… Ah!!! Era emoção pura…
E o sol nos tostava até o anoitecer… Ainda não tinha sido escondido pelos prédios que hoje colocam a praia na sombra após as 15 horas.
Assim era a Martim de Sá, a praia mais linda e famosa de Caraguatatuba…
Nela brinquei com o golfinho Tião e numa tarde, repórter cobrindo o verão na praia, o vi matar um operário dos prédios então em construção na orla. O moço tinha respondido aos carinhos do golfinho Tião, que passava com delicadeza pelas nossas pernas dentro da água, enfiando um palito de sorvete no respirador do golfinho…
Tudo isto décadas antes da Martim se tornar palco de crimes e tragédias hediondas, como a deste réveillon em que um tiroteio no meio da multidão matou uma pessoa e feriu outras sete…





