Deus mercado
PAREI DE ACOMPANHAR A POLÍTICA NACIONAL… E ISSO ME FEZ MUITO BEM
Enquanto o país discute Brasília, talvez a verdadeira política esteja mais perto do que imaginamos
Por Pitágoras Bom Pastor
As pessoas que se julgam religiosas, que se dizem religiosas ou que simplesmente professam uma fé costumam acreditar numa máxima bastante conhecida: nada acontece sem a vontade de Deus.
Esse Deus ao qual normalmente nos referimos, dentro da tradição judaico-cristã e islâmica, é chamado de Deus em português, Yavé na tradição hebraica e Alá na tradição árabe, tanto pelos muçulmanos quanto pelos cristãos de língua árabe.
O PODER QUE MUITOS NÃO VEEM
No entanto, quem conhece minimamente o funcionamento da política contemporânea sabe que, muitas vezes, parece que nada acontece sem a vontade do mercado.
Os grandes agentes econômicos, investidores, bancos, fundos e corporações exercem influência significativa sobre os rumos das economias nacionais e sobre as políticas públicas adotadas pelos governos.
Dito isso, tenho a impressão de que boa parte das disputas apaixonadas entre defensores deste ou daquele político acabam se tornando um grande desgaste emocional para o cidadão comum.
Enquanto as pessoas brigam nas redes sociais, os grandes interesses econômicos continuam influenciando decisões que muitas vezes estão acima da capacidade de intervenção do eleitor individual.
QUANDO DESLIGUEI O NOTICIÁRIO
Foi então que percebi algo simples: deixar de acompanhar diariamente o noticiário político nacional me fez muito bem.
Ganhei tempo, tranquilidade e serenidade.
Passei a dedicar mais atenção às pessoas que convivem comigo, aos problemas concretos da minha comunidade e às questões que realmente afetam o meu cotidiano.
AS BRIGAS POLÍTICAS QUE NÃO LEVAM A LUGAR NENHUM
Cabe aos partidos, aos candidatos e às lideranças políticas travarem a disputa de ideias e apresentarem seus projetos para a sociedade.
Não precisamos transformar cada conversa de família, cada amizade ou cada grupo de WhatsApp em um campo de batalha permanente.
As divergências são naturais numa democracia. O que não parece saudável é viver permanentemente em estado de conflito por causas que, muitas vezes, fogem completamente ao nosso controle.
OLHE MENOS PARA BRASÍLIA E MAIS PARA SUA CIDADE
Por isso, recomendo que deixemos um pouco de lado essas brigas políticas intermináveis e voltemos nossa atenção para aquilo que está mais próximo de nós: nossas cidades, nossos bairros, nossas comunidades e nossos problemas concretos.
É nas cidades que vivemos.
É nelas que circulamos, trabalhamos, criamos nossos filhos e construímos nossas memórias.
O DESAFIO DO LITORAL NORTE
E, especialmente no Litoral Norte, estamos precisando urgentemente resgatar nossas cidades das mãos de lideranças e grupos que, muitas vezes, demonstram pouco compromisso com os princípios republicanos, com a participação popular e com o interesse coletivo.
Talvez a verdadeira política — aquela capaz de melhorar a vida das pessoas — comece justamente quando olhamos menos para Brasília e mais para a rua onde moramos.
