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FUI DA EUROPA Á ÁSIA NO MESMO DIA — E ENCONTREI INSTAMBUL

ISTAMBUL NÃO É UMA CIDADE: É UMA MÁQUINA DO TEMPO A CÉU ABERTO

ISTAMBUL: A CIDADE ONDE O OCIDENTE ENCONTRA O ORIENTE E A HISTÓRIA CAMINHA AO SEU LADO

📖 Por Marcus Ozores

22 de maio de 2026

Doze anos depois da minha primeira visita, volto a uma das cidades mais fascinantes do planeta: Istambul. Poucos lugares do mundo carregam tantos séculos de história, conquistas, religiões e culturas misturadas em cada rua.

Fundada em 667 a.C. pelos gregos dórios com o nome de Bizâncio, a cidade homenageava seu primeiro rei, Bizas. Séculos depois, em 330 d.C., tornou-se Constantinopla, em honra ao imperador Constantino, responsável por transformar o cristianismo em religião oficial do Império Romano. Em 1930, passou a se chamar oficialmente Istambul, nome pelo qual é conhecida atualmente.


✈️ Uma viagem de 20 horas até a antiga capital dos impérios

Cheguei a Istambul às 23 horas de uma quinta-feira, depois de quase vinte horas de viagem desde Guarulhos, incluindo conexão em Amsterdã.

Aliás, para quem nunca passou pelo gigantesco aeroporto holandês, prepare-se: é praticamente uma cidade dentro de outra cidade. As antigas baldeações de trem deram lugar às intermináveis caminhadas pelos terminais internacionais. O mundo mudou, mas a aventura continua a mesma.


🚋 Rua Istiklal: entre a 25 de Março e a Oscar Freire

Na manhã seguinte saí caminhando do hotel, localizado na região de Taksim, rumo ao lendário Bazar de Livros Antigos, fundado em 1458.

O percurso me levou pela famosa Rua Istiklal, uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Para um paulistano, a sensação é curiosa: imagine a agitação comercial da Rua 25 de Março misturada à elegância da Oscar Freire.

Lojas internacionais, turistas de todas as partes do mundo, artistas de rua, cafés e uma multidão constante transformam a caminhada numa experiência única.


🌎 Uma cidade gigante, mas surpreendentemente acolhedora

Istambul possui uma população semelhante à da cidade de São Paulo. A diferença é que o turista consegue caminhar pelas ruas com muito mais tranquilidade.

Os moradores são receptivos, prestativos e sempre dispostos a ajudar. Quando a língua falha, a comunicação acontece por gestos. Afinal, a linguagem universal continua sendo a boa vontade humana.

E é justamente essa mistura de povos e culturas que faz de Istambul uma das verdadeiras esquinas do mundo.


🕌 Igrejas transformadas em mesquitas: a história viva diante dos olhos

Ao longo da descida pela região de Galata, encontrei cenas que misturam passado e presente de forma impressionante.

Jovens aguardavam em longas filas para experimentar novos produtos de beleza enquanto senhoras vestidas com burcas conversavam ao celular. Em poucos metros, séculos de tradição e modernidade conviviam naturalmente.

Também passei pela antiga Igreja de São Francisco, construída por volta de 1230 pelos venezianos. Após incêndios e reconstruções, o templo acabou sendo transformado em mesquita em 1696, refletindo as profundas mudanças ocorridas na cidade após a conquista otomana.


🚞 O bonde que resiste ao tempo

Outra surpresa é encontrar ainda em funcionamento o tradicional bonde elétrico que percorre a Rua Istiklal.

Enquanto muitas cidades abandonaram esse tipo de transporte, Istambul preservou uma parte importante de sua memória urbana. O resultado é um charme que encanta moradores e visitantes.

Cada esquina parece contar uma história diferente, seja dos gregos, romanos, venezianos, bizantinos ou otomanos que passaram por aqui ao longo dos séculos.


🌉 Ponte Gálata: atravessando continentes e séculos

Ao final da caminhada cheguei ao estreito de Bósforo, a famosa passagem marítima que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara.

Subi então à Ponte Gálata, um dos cartões-postais da cidade. São quase 500 metros de travessia cercados por pescadores, barcos e uma vista espetacular.

Poucos lugares no planeta permitem atravessar, em poucos minutos, uma região onde se encontram tantas influências culturais, religiosas e históricas.


🛍️ O Grande Bazar continua sendo um espetáculo

Depois da ponte, mergulhei novamente na multidão e entrei no lendário Grande Bazar.

Labiríntico, colorido e vibrante, o mercado continua impressionando visitantes de todo o mundo. Seus corredores parecem não ter fim e reúnem produtos dos mais variados tipos.

O mais curioso é que muitos comerciantes falam diversas línguas para atender turistas dos quatro cantos do planeta. Não é raro encontrar alguém disposto a negociar em um divertido “portunhol”.


📚 O verdadeiro paraíso escondido de Istambul

Mas o objetivo principal daquela caminhada era outro.

Após horas atravessando mercados, vielas e corredores do Grande Bazar, finalmente cheguei ao antigo Bazar de Livros, fundado em 1458.

Foi como entrar em outro universo.

De repente, o barulho desapareceu. As multidões sumiram. No lugar delas surgiu uma pequena praça cercada por árvores e livrarias.

Ali encontrei um dos lugares mais agradáveis de toda a cidade. Um refúgio para leitores, pesquisadores e apaixonados por história.


🐱 Os verdadeiros donos de Istambul

Enquanto descansava, percebi algo que chama a atenção de qualquer visitante.

Os gatos estão por toda parte.

Milhares deles vivem livremente pela cidade e recebem cuidados constantes dos moradores. São animais dóceis, bem alimentados e sempre dispostos a receber um carinho dos turistas.

Talvez sejam eles os verdadeiros proprietários de Istambul.


O café turco e uma lição de gentileza

Antes de retornar ao hotel, parei para experimentar o famoso café turco.

Foi então que recebi uma demonstração inesperada da hospitalidade local. O vendedor recomendou que eu voltasse de metrô, explicando que os táxis costumam ser caros e nem sempre confiáveis para turistas.

A conversa foi tão agradável que ele acabou me presenteando com um cartão para utilizar no metrô.

Pequenos gestos como esse ajudam a explicar por que Istambul continua encantando viajantes há tantos séculos.


🌟 ISTAMBUL: ONDE CADA ESQUINA É UMA AULA DE HISTÓRIA

Entre bazares, mesquitas, igrejas antigas, pontes históricas, cafés aromáticos e gatos simpáticos, Istambul continua sendo uma das cidades mais fascinantes do mundo.

Uma cidade onde Oriente e Ocidente se encontram todos os dias.

E onde cada caminhada se transforma numa verdadeira viagem através dos séculos.

Marcus Ozores

Marcus Vinicius Pasini Ozores é fotógrafo, jornalista, apresentador de TV , mestre em Ciências Sociais e Pesquisador Associado na UNICAMP

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