Diários bizantinos
🌍✍️ DIÁRIOS BIZANTINOS: BRASILEIRO CAMINHA PELAS RUAS DE ISTAMBUL E ENCONTRA O “PARAÍSO DOS LIVROS” NO CORAÇÃO DO ANTIGO IMPÉRIO
📚 De Bizâncio a Istambul: uma viagem pela história, pelos bazares e pelas memórias do mundo
🕌 Entre mesquitas, bondes antigos, mercados e gatos pelas ruas, Marcus Ozores relata sua experiência na cidade onde Oriente e Ocidente se encontram
🚶 “Descer a pé é uma viagem pela história humana”, escreve o viajante brasileiro em relato direto da Turquia
Por Marcus Ozores
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🌊 Diários Bizantinos
22 de maio de 2026
Volto a escrever meus diários de viagem, desta vez direto de Istambul, a antiga cidade de Bizâncio fundada no ano de 667 antes de Cristo pelos colonos gregos dórios, cidade próxima a Athenas. Seu nome Bizâncio é uma homenagem a seu primeiro rei chamado Bizas. No ano de 408 da era cristã seu nome foi alterado para Constantinopla para reverenciar o imperador Constantino que foi aquele imperador que se converteu ao cristianismo e elevou, o perseguido o cristianismo primitivo, como religião oficial do Estado. E foi assim que o cristianismo espalhou-se por todas as regiões do Império. Já a mudança de nome para Istambul ocorreu em 1930, do século passado.
Bem, aterrissei em Istambul as 23h00 da noite quinta feira, vinte horas depois que embarquei num voo da KLM em Guarulhos e troca de voo em Amsterdã, ou melhor para fazer baldeação como a gente costumava dizer quando trocávamos de trem na plataforma da estação. Bem, o mundão mudou e hoje as plataformas são os aeroportos gigantescos e, para quem conhece, ou não, o aeroporto de Amsterdã é simplesmente gigantesco e haja perninha para quem tem. Volto a Istambul doze anos depois da primeira vez que aqui estive.
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🚋 Caminhando pela Istiklal: uma avenida entre a 25 de Março e a Oscar Freire
Hoje, sexta feira, deixei o hotel a pé localizado no bairro de Thaksin decidi ir caminhando até o antigo bazar de livros antigos localizado no mesmo lugar desde 1458, ou seja, cinco anos depois que o califa Maomé II, uso pela primeira vez, na história ocidental, vários canhões para abrir uma brecha nas muralhas da cidade e conquista-la. Corresponde a mais ou menos 600 anos depois que os muçulmanos haviam invadido e civilizado a Península Ibérica.
Hoje Istambul é do mesmo tamanho da minha Sampa Desalmada só que mais tranquila para um turista caminhar sem ficar preocupado com uso do celular na rua. As pessoas são simpáticas e prestativas prontas a informar o turista o que precisar. Linguagem internacional por aqui é a língua de sinais, mais prático e mais rápido.
Bem, sai do hotel e caminhei até a praça de Thaksin e entrei na Istikial, uma rua que sai da praça e desce em direção a ponte de Gálata que liga das duas partes da Istambul ocidental. Sim, me esqueci de dizer que Istambul é a uma cidade do Ocidente, mas apenas duas partes da cidade. Uma é Istambul histórica do tempo dos gregos e outro é moderna e foi possessão do Dodge de Veneza por vários séculos. Marco Polo foi um dos viajantes famosos que passaram e escreveram sobre a cidade no século XIII.
Bem, descer a pé é uma viagem pela história humana. Afinal Bizancio sempre foi considerada uma das esquinas do mundo e a miscigenação por aqui é, a meu ver, semelhante ao Brasil. A rua Istikial é chic e um comércio furiosos. Gente do mundo inteiro vem passear aqui para comprar roupas das marcas famosas do mundo a preço bem mais barato. Um misto de preços da rua da Glória e a sofisticação da Oscar Freire.
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🕌 Igrejas transformadas em mesquitas e o peso da história nas ruas de Galata
Nessa descida aproveitei para fazer fotos curiosas desde uma fila de jovens turcas aguardando na fila gigantesca para experimentarem novo batom, senhoras vestidas com burca e totalmente escondidas atrás da roupa falando no celular até passar por antigo prédio que é uma reprodução minúscula do Vitorio Emanuele de Milão. Só que aqui só tem restaurante na parte interior. Também ainda está em operação um bonde elétrico transporte abandonado pelos gestores das cidades brasileiras há décadas e décadas atrás para apagar da nossa história o atraso. Sim gestores brasileiros odeiam o atraso, muito embora, eu tenha dúvida sobre o que eles entendem pelo futuro.
No meio do caminho não encontrei uma pedra como o Drummonde, aquele que nasceu em Itabira, mas no meio do caminho me deparei com a antiga Igreja de São Francisco, em Istambul, foi construída por volta de 1230 na região de Galata, como é conhecida essa região pertencente aos antigos venezianos. A ordem franciscana a administrou essa igreja por séculos como um dos mais importantes templos católicos da cidade. Após sofrer grandes incêndios e ser reconstruída, ela acabou sendo transformada em mesquita em 1696.
Atualmente, o edifício original não existe mais e a congregação católica italiana que frequentava a região eventualmente deu origem a outras igrejas históricas, como a famosa Basílica de Santo Antônio de Pádua localizada na rua İstiklal, no bairro de Beyoğl, essa no entanto não fui visitar.
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🛠️ Do Grande Bazar ao estreito de Bósforo: a cidade que nunca para
Voltando a caminhada, no final da rua Istkital o caminhante acha que está saindo da boca do metro São Bento e desce em direção da Ladeira Porto Geral e cair na festa da 25 de Março. E só de pensar nisso, pimba na gorduchinha, como diria Osmar Santos narrando um jogo de Corinthias e Santos. Você cai direto numa rua que sai em dezenas de outras que vendem produtos de ferragem. Dá a impressão que fosse está na Florêncio de Abreu, ao lado do Mosteiro de São Bento. Bem, cheguei à beira do mar defronte ao estreito do Bósforo que conecta o Mar Negro com o Mar Mármata.
Depois do almoço, um peixe do Mármata com jeitão pré histórico que, em lugar de escamas, tem couro e espinhos, caminhei até a beira mar e subi na parte de cima da ponte Gálata para atravessar as duas partes de terra, as ultimas ocidentais. São 490 metros e aqui é o paraíso dos pescadores.
Atravessada a ponte, depois de passar por um pequeno porto com barcos servindo como ônibus para ligar varias partes dessa cidade que se estende para o lado oriental. Nesse local da Bizâncio antiga hoje tem uma mesquita gigantesca e ao lado o Bazar Egípcio, um bazar de especiarias, construído logo após a conquista da cidade pelos mulçumanos, em 1453. Ao lado desse Bazar está o prédio Mesquita de Suleiman, o Magnífico. Aliás, a atual Istambul é a cidade que mais tem mesquitas em todo o mundo mulçumano. E sempre, ao lado de qualquer mesquita, você encontrará um mercado, pois, é com recurso dos aluguéis das lojas que está a base da sustentação das mesquitas. Outro detalhe é que as mesquitas são construídas pelas pessoas ricas que devolvem para a população o seu sucesso na vida oferendo a construção de novos templos. Foi o que aprendi aqui há doze anos e nunca mais me esqueci.
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📖 O “paraíso” escondido de Istambul: o bazar de livros antigos fundado em 1458
Saindo do mercado de especiarias e caminhar por lugares entupidos de gente, você entra no famoso Grande Bazzar, o mais famoso bazar do mundo considerado, até pouco tempo, como o maior do mundo. Ele é labiríntico, mas não se preocupe, como é bazar que atende os mais variados povos e etnias os lojistas falam qualquer língua e como nossa colônia co-irmã espanhola são grandes as chances dos clientes encontrarem um vendedor hablando em portunhol.
Não vou descrever muito o Grande Bazzar pois é do conhecimento da maioria de voces pelas imagens na aldeia global e na internet.
Bem, o lugar onde havia planejado ir desde a saída do hotel pela manhã, era visitar o Bazar de Livros Antigos. Cheguei as 16h00. Na verdade o google me levou até lá, pois, o google sabe , além da intimidade da sua vida pessoal, te indicar as saídas do labiríntico Grande Bazzar. Aí encontrei o paraíso. De repente, a cidade entupida de gente de todos os tipos e etnias desaparece e você saí numa pequena praça com árvores e lojas de livros antigos e modernos. Meus olhos enfim descansaram e minhas perninhas também. O burburinho desapareceu. Descansei e fiquei com os olhos perdidos acompanhando as pequenas bolas de pelo que estão em toda a cidade e sempre são bem tratadas. Me refiro aos milhares ou milhões de gatos que vivem em Istambul sem serem perseguidos. São bem tratados pelos viventes e sempre amigáveis procurando que lhes faça um cafuné.
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☕ Café turco, metrô e a gentileza inesperada de Istambul
Antes de voltar para hotel tomei café turco, fabuloso, e foi ai que o vendedor, extremamente gentil, me recomendou voltar para o hotel de metro que rápido, seguro e confortável. Disse-me que os táxis são muito caros e normalmente enganam os turistas e não são seguros. Foi tão gentil depois que falei do time da Turquia na próxima Copa que me deu um cartão de embarque para o metro. Voltei para o hotel. Amanhã tem mais.
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