O Amor que Nunca Desiste: Como Famílias do Litoral Venceram o Vício e Reergueram Vidas
E Se o Antídoto contra as Drogas Fosse... Amor?

Todos conhecem o A.A. (Alcoólicos Anônimos), mas poucos sabem que existe no Brasil um trabalho igualmente transformador contra a dependência química: o Amor-Exigente.
Atuando no Litoral Norte de São Paulo, essa iniciativa salvou vidas, apoiou famílias e promoveu prevenção entre crianças e adolescentes.
Tudo começou há mais de 28 anos, quando o pároco da Matriz de São Sebastião fez um apelo aos paroquianos para ajudar famílias desesperadas com filhos envolvidos com drogas.
Na época, a paróquia estava sob a responsabilidade de padres Espiritanos, vindos da Irlanda.

O casal que iniciou a mudança
O primeiro a atender ao chamado foi Ivaldo Sampaio de Freitas, caiçara com raízes em Ilhabela e Toque Toque Grande. Ao lado da esposa, Cecília Ramos Freitas, vinda de Garça e caiçara de coração, reuniu 23 voluntários de diferentes formações para iniciar o trabalho.
O Amor-Exigente nasceu em Campinas por iniciativa do Padre Haroldo e da leiga Mara Sílvia de Carvalho Menezes, que transformou a dor da perda de um filho para um jovem drogado em missão de vida.
Ivaldo e Cecília conheceram o programa em Campinas e, em 13 de maio de 1997, iniciaram as reuniões na escola do Porto Grande.
O incentivo na gestão João Siqueira (1997 a 2000)
Durante a gestão do prefeito João Siqueira, foi lançada a campanha “O Alvo é a Vida”, com o lema “A vida é o maior barato”.
Foram criados 13 conselhos municipais, e Ivaldo assumiu a presidência do primeiro Conselho Municipal sobre Drogas.
O sonho de prevenir antes que a dor chegasse
O programa atuou com:
Famílias com problemas de drogas já instalados
Grupos de Sobriedade do Amor-Exigente
Prevenção comunitária, com o lema “Antes que coisas ruins aconteçam”
As ações alcançaram bairros como Barra do Sahy, Boissucanga, Maresias, Pontal da Cruz e o centro da cidade, sempre com acolhimento, sigilo e mudança de hábitos como pilares.
Na gestão Juan Pons Garcia (2005 a 2008), o programa passou a ter apoio da prefeitura, com sede alugada, contratação de funcionários e implantação do Amor-Exigentinho para crianças e adolescentes.
A pandemia interrompeu as atividades presenciais, e a prefeitura encerrou o repasse de recursos, levando ao fechamento da sede.
O que restou e onde buscar ajuda hoje
Atualmente, na sede da Associação de Amparo à Mulher Sebastianense (AAMS) — Rua Nossa Senhora da Paz, 38 – Centro — funcionam:
A.A. (Alcoólicos Anônimos): segundas-feiras, 20h
N.A. (Narcóticos Anônimos): terças e quintas-feiras, 20h



