Morre Maria Tereza, a professora que era a própria literatura
Por Pitágoras Bom Pastor
Como uma pessoa que gosta de escrever e de ler. conheci muita gente que amava profundamente a literatura. Mas nunca havia conhecido alguém que fosse a encarnação dessa arte até conviver mais com a Professora Maria Tereza Callefe que hoje morreu, para tristeza de seus milhares de alunos. Eu sou um deles e devo a ela minha evolução técnica poeta. Eu não posso dizer que sou um bom poeta, até porque nem tenho pretensões de sê-lo. Mas graças às 24 horas de aula e cobrança que professora Maria Callefe me deu nesses últimos 5 anos, aprendi a valorizar e a dominar a técnica da poesia . Hoje pela segunda vez em menos de um anos fico órfão. Em junho morreu minha primeira professora de poesia, minha mãe, Maria Eulália de Medeiros. Hoje perco minha segunda mãe, a Professora Callefe.
Todos os dias, irremediavelmente ela me dava tarefas. Ora me propunha um tema pra poesia. Ora discutia alguma questão literária. Já não conseguia falar, mas me chamava ao telefone para que eu lesse as questões que ela discutia. Um dia era um teste de gramática. Noutro era a sugestão de um tema. Percebi que evolui quando ela passou a elogiar meus escritos, sem restrição. Escrevi pra ela vários poemas. Ela e o Geraldo Callefe eram meus musos por seu amor.
A Professora Maria Tereza onde passou deixou marcas, não só pelo seu conhecimento profundo da língua e da literatura, quanto por seu instinto maternal. Mas nunca deixou de ser professora. Quando via alguém que se metia a escrever publicamente e cometia erros gramaticais, ela puxava o orelha do desavisado, primeiro em off e depois caso não fosse efetuado a correção , publicamente. Grande professora Callefe. Vai deixar muitas saudades. Mas todos temos que ir.
Afinal, Tereza merece o descanso. A essas hora já está entrando no céu dos Literatos. Na porta encontra Camões:
-Com licença, Mestre Camões?!
-Entra Tereza, aqui você não precisa pedir licença.
POEMAS
Fiz pra Professora Maria Callefe vários poemas. Quero lembrar um aqui. Acho que foi o último que escrevi pra ela .
VAI TEREZA

E Sem peias,
Vai Tereza.
Tem nas veias,
A alma acesa .
Leva o peso
Que lhe lega.
Ela nega
O sossega.
Ela briga
Com a sorte.
Ela brinca
Com a morte.
Escreve ,
Conversa,
Converge,
Com versos,
Emerge
Guerreira.
Ninguém atravessa
O mar oceano
NÃO tendo fé
No vento “soprano”.
Vida é maré!
Deitado ou em pé,
Quem é valente,
Que vá seguindo.
O corpo esvaindo…
Tudo se esvai.
E contudo indo
Tereza vai .
Quem não tem ai?
E o que vos resta?
Na voga vida
Desde que entrai:
-Vais, Navegai!
Navegar é preciso
‘Pesar do peso do “ai”
Pitagoras Bom Pastor di Maria 09/02/2020
Para a Professora Maria Tereza Callefe , que navegando no barco da escrita e da leitura segue resistindo á dor , heroico ato das almas guerreiras.




